O papel do setor financeiro na inovação em sustentabilidade global

January 16, 2025

A crise climática não pode mais ser ignorada, e as mudanças necessárias para combatê-la exigem ações coordenadas entre diversos setores, como governos, academia iniciativa privada e sociedade civil. Nesse contexto, o setor financeiro desponta como um catalisador essencial da transição para uma economia mais sustentável.

A inovação em sustentabilidade, que integra viabilidade econômica e responsabilidade ambiental, tem se mostrado um caminho promissor para mitigar os impactos das mudanças climáticas em diferentes setores. Um dos exemplos mais marcantes é a produção de biocombustíveis, com o desenvolvimento da segunda geração de etanol. Para impulsionar essa agenda, a Raízen, uma joint-venture entre Shell e Cosan, tem investido em tecnologias que permitem utilizar o mesmo maquinário tanto para a produção de etanol quanto de amônia verde. Essa abordagem traz flexibilidade e eficiência, otimizando as operações.

Apesar dos avanços, os desafios permanecem. A relutância de parte dos investidores em adotar esses novos modelos, além da ausência de regulamentações robustas e compatíveis com padrões internacionais, são obstáculos que precisam ser superados. Outro ponto que merece atenção nesse caso é a importância da rastreabilidade na cadeia produtiva, uma vez que garantir a transparência e a credibilidade do processo é fundamental para que esses projetos sejam bem-sucedidos.

O setor de saneamento é outro exemplo de inovação que promove mudanças sociais significativas. André Pires de Oliveira Dias, diretor financeiro e de relações com investidores da Aegea, destaca o impacto positivo das concessões em áreas como Campo Grande, no estado do Mato Groso do Sul, e na região dos Lagos, no Rio de Janeiro. “Os índices de saneamento, antes abaixo de 30%, subiram significativamente. Isso reduziu não apenas as infecções causadas por água contaminada, mas também os custos com saúde pública”, afirma. Para ele, os investimentos em saneamento são fundamentais para melhorar a qualidade de vida da população e estimular a economia local. “Parcerias público-privadas e concessões são essenciais para garantir a continuidade desse ciclo virtuoso”, acrescenta.

O setor de energia eólica também tem se destacado pela customização de soluções energéticas. Na Casa dos Ventos, o projeto Serra do Tigre, financiado por investimentos privados, exemplifica esse progresso. Embora a energia eólica seja competitiva no Brasil, os custos operacionais ainda são elevados. A redução desses custos é crucial para consolidar o país como líder na transição energética global.

Para garantir que a transição para uma economia de baixo carbono seja sustentável a longo prazo, o alinhamento com compromissos internacionais, como o Acordo de Paris, é essencial. Segundo Thomas Monducci, Investment Officer do International Finance Corporation (IFC), o setor financeiro está comprometido com essa missão, direcionando investimentos para projetos alinhados a esses objetivos.

Ainda assim, o sucesso dessas iniciativas depende de um esforço conjunto. Beatriz Secaf, líder de ESG do BNP Paribas Brasil, reforça a importância da colaboração entre o setor privado, governos e a sociedade para superar barreiras regulatórias e atrair investimentos de longo prazo. “Superar essas barreiras e garantir a viabilidade econômica das soluções é o grande desafio que temos pela frente”, destaca.

Com um vasto potencial em energia limpa e renovável, o Brasil tem uma oportunidade única de liderar essa transformação global. No entanto, para que isso se concretize, será necessário unir experiência, recursos e uma visão de longo prazo. “Somente com uma atuação conjunta entre os diferentes setores poderemos garantir um futuro sustentável e próspero para as próximas gerações”, conclui Secaf.